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Publicado em: 27/10/2015

Uma vitoriosa dentro e fora das quadras

Dra. Ana Paula Alves, fisioterapeuta e atleta paralímpica da Seleção Brasileira Feminina de Voleibol Sentado receberá a Medalha Dr. Fernando Lemos, do Crefito-2.

Dra. Ana Paula Alves é uma das homenageadas com a Medalha Dr. Fernando Lemos, do Crefito-2.

A fisioterapeuta e atleta paralímpica da Seleção Brasileira Feminina de Voleibol Sentado, Dra. Ana Paula Alves, também está no seleto grupo que receberá a Medalha de Honra ao Mérito Dr. Fernando Lemos, concedida pelo Crefito-2. Nesta edição, serão agraciados profissionais que se destacam no campo assistencial da Fisioterapia Desportiva. 

A entrega da comenda será na abertura da XV Jornada Científica de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Crefito-2 – Etapa Fisioterapia, no dia 4 de novembro de 2015. As pré-inscrições para o evento estão abertas e podem ser realizadas pela internet.

Dra. Ana Paula é pós-graduada em Biomecânica do Movimento e Neurologia e divide seu tempo, como a maioria das mulheres, entre família, trabalho e esporte. Apesar de uma história de luta e dificuldades por ter tido as duas pernas amputadas por conta de acidente, quando ainda cursava Fisioterapia, ela não desistiu. Concluiu os estudos, seguiu carreira como fisioterapeuta e deu continuidade à prática esportiva, que já desenvolvia antes do acidente que sofreu.

Em entrevista concedida ao Crefito-2, a profissional falou da alegria em receber uma homenagem do Conselho, sobre a profissão, esporte e também dos desafios que a falta de acessibilidade impõe às pessoas com deficiência no Brasil. Confira.


Crefito-2: Quando a Fisioterapia entrou em sua vida? O que a motivou a estudar e se tornar fisioterapeuta?

Dra. Ana Paula Alves: Aos 19 anos. Já era jogadora de vôlei e achava a Fisioterapia Desportiva muito bacana. Antes de amputar as pernas já era atleta de vôlei. Dez anos após a amputação, fui convidada a participar da primeira equipe de vôlei sentado no Brasil (em 2002) e nunca mais parei. Atuo nas áreas de Órtese e Prótese, Neurologia e Fisioterapia para Desporto.


Crefito-2: Como atleta, qual a maior diferença de estar dentro da quadra ou fora dela, na equipe técnica?

Como deficiente, ser atleta e praticar esporte é tudo de bom. Na quadra, nem lembro que sou deficiente, que não tenho pernas, que não tenho certos movimentos. O esporte gera exatamente o movimento de que precisa e você esquece que tem limitações. Como fisioterapeuta e deficiente, trabalhar em jogos e ir para uma paralimpíada foi um imenso prazer e um sonho realizado.


Crefito-2: Como você recebe a notícia desta homenagem? Comente sobre a importância deste reconhecimento por parte do Conselho.

Dra. Ana Paula Alves: Recebi a noticia [sobre a homenagem] com muita satisfação e admiração. Sempre trabalhei pela Fisioterapia Paralímpica, pois sempre acreditei que a reabilitação deve ser plena, não só física, mas emocional e social. A importância desse reconhecimento é exatamente a difusão desse conceito e que a Fisioterapia é o elo desse paciente/atleta nesse processo de reabilitação. O Crefito-2 muito me honra com o reconhecimento da importância da reabilitação Paralímpica e minha pessoa associada a ele.

Crefito-2: Este ano a Jornada Científica do Crefito-2 trata do tema: “A atuação fisioterapêutica no esporte”. Como fisioterapeuta e atleta comente sobre a relevância do tema e como acha que a discussão deste assunto pode contribuir para a profissão.

Dra. Ana Paula Alves: A Fisioterapia cresceu muito e uma das áreas de especialização é o esporte e a abordagem paralímpica é fundamental no processo de diversidade e inclusão de pessoas com sequelas definitivas. Esse tema eleva o esporte paralímpico para um conceito de realização do esporte lúdico e competitivo por qualquer pessoa e principalmente por uma clientela que apresenta alterações sensoriais, motoras e intelectuais significativas. O tema Fisioterapia no Esporte evidencia que muitos profissionais se destacam em mais uma área e isso denota o crescimento da nossa profissão e vem em um momento importante que será 2016 com a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro.


Crefito-2: Como fisioterapeuta de atletas paralímpicos e de voleibol profissional, qual o diferencial do seu trabalho? Comente um pouco sobre isso.

Dra. Ana Paula Alves: Tive grande sorte na minha vida de antes do acidente já ter sido escolhida pela Fisioterapia e após acidente, já fisioterapeuta, o meu primeiro trabalho ter sido no mundo paralímpico, onde aprendi que o diferencial para trabalhar nessa área é entender das sequelas sensoriais, motoras únicas ou múltiplas, avaliar esse paciente para as diferentes modalidades paralímpicas existentes, classificar como lúdicas ou competitivas que apresentam abordagens totalmente diferentes e associar a reabilitação imediata com a iniciação no esporte paralímpico. Outra grande oportunidade que tive dentro da minha deficiência foi me transformar em atleta paraolímpica, após 12 anos trabalhando como fisioterapeuta na área. Tive a chance de participar da Paralimpíada de Sidney, em 2000 como fisioterapeuta da delegação brasileira e em 2012 como atleta da seleção brasileira de vôlei sentado. Essa experiência como atleta em um período de 12 anos me ratificou que os benefícios da reabilitação difundidos pelo Dr. Ludwing Guttmann, criador do processo reabilitação e esporte adaptado, eram reais em seu contexto de resgate da cidadania. Contudo, acredito que o grande diferencial é amar a nossa profissão e fazer dela o instrumento de resgate e reorganização do paciente que chega as nossas mãos. O estudo contínuo é a grande engrenagem para que qualquer processo de reabilitação dê certo.  Atualmente o mestrado que realizo no Curso de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão (CMPCI) na Universidade Federal Fluminense é a continuação dos meus estudos na convicção de usar a Fisioterapia e o esporte paralímpico na inclusão das pessoas portadoras de deficiência na sociedade.


Participe da XV Jornada Científica de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Crefito-2

As pré-inscrições para o evento estão abertas e podem ser realizadas pela internet.

 
 
 
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