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Homenageado na XII Jornada Científica defende a criação de culturas fisioterapêutica e terapêutica ocupacional

O Dr. José da Rocha Cunha, especialista em Fisioterapia Respiratória e Terapia Intensiva, em entrevista ao Crefito-2.

A XII Jornada Científica está se aproximando. Nos dias 29 e 30 de Setembro os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais estarão reunidos na Universidade do Estado do Rio de Janeiro para debater temas relevantes de suas profissões. Durante o evento, o Crefito-2 homenageará seis profissionais cujas atuações dignificam as áreas representadas pelo Conselho.

Um dos condecorados será o Dr. José da Rocha Cunha, especialista em Fisioterapia Respiratória e Terapia Intensiva, cujo extenso currículo e atuação foram reconhecidos pelo Colegiado do Crefito-2.

Conversamos com o fisioterapeuta sobre trajetória profissional, expectativas para o futuro da Fisioterapia e sobre a homenagem do Crefito-2. Confira a entrevista.

Crefito-2: Como você recebe a notícia desta homenagem? Qual a importância deste reconhecimento por parte do Conselho?

Fiquei muito surpreso, agradavelmente surpreso, pois não esperava esta homenagem, tendo em vista tantos colegas com contribuições relevantes à nossa categoria. Por outro lado, fico imensamente feliz, pois o reconhecimento pelo Crefito-2 me mostra que todo o empenho que tenho tido para contribuir para a dignidade, autonomia e respeitabilidade da sociedade, classes da Saúde e o próprio fisioterapeuta pela profissão, não foi em vão; e esse eco, mais cedo ou mais tarde, se fará ouvir de forma definitiva.

Crefito-2: Comente sobre a importância de se tratar “Acessibilidade e Humanização” como tema na XII Jornada Científica de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

Acessibilidade e Humanização são dois pilares básicos para aqueles que possuem a visão do fisioterapeuta como reabilitador, isto é, que vêm o paciente como um todo, de forma indissociável - corpo, mente e alma, não como uma sequela, mas como uma pessoa.

O novo conceito de saúde não leva em conta a existência pura e simples da doença, mas o quanto de autonomia funcional essa doença permite que o paciente possua e, com a ação da fisioterapia, o quanto de autonomia ele pode adquirir. Nessa caminhada, um dos pontos críticos do processo é: será que, com a sequela estacionada e/ou impossível de ser reduzida, o nosso paciente vai ter acesso digno, como qualquer outra pessoa, a lazer, trabalho, esporte ou simples deslocamento, com o respeito e consideração que lhe é devido por ser, acima de tudo, uma pessoa?

No aspecto humanização, acho que qualquer profissional da saúde que não seja dotado de compaixão, misericórdia e amor, nunca será um profissional apto a lidar com o sofrimento do outro; em relação à fisioterapia, isso cresce geometricamente, pois como fala Paulo aos Coríntios, “mesmo que eu fale a língua dos homens, se não tiver amor de nada adianta”. Fazer o bem pelo bem, simplesmente isso. O tema não é novo, mas sempre atual e imperativo, pois acho que passamos um momento no mundo em que esses valores estão bastante aviltados e secundarizados.

Crefito-2: Quais os principais avanços da sua área e / ou momentos profissionais mais marcaram sua vida?

Como reabilitador, sempre pensei na fisioterapia clínica como principal via de acesso; entretanto, minha área de maior direcionamento foi a fisioterapia respiratória e terapia intensiva. Essas duas áreas, que estão entrelaçadas totalmente, tiveram um crescimento muito acentuado a partir do início da década de 90, quando o fisioterapeuta começou a ser reconhecido como profissional integrante de uma equipe plantonista dentro de um CTI geral, o que não ocorria até então.

Hoje, a tendência é que todos os hospitais disponibilizem Fisioterapia 24 horas nas unidades fechadas, demonstrando a necessidade imperiosa que esse profissional vem apresentando. Ainda não é uma realidade, mas um crescimento palpável e irreversível. Fico muito contente de ter participado dos movimentos que nos permitiram chegar até aqui e com muito lastro ainda para crescer.

A partir de 1988 ingressei na carreira docente, inicialmente na Universidade Castelo Branco e, posteriormente, e por 15 anos, na Universidade Estácio de Sá, ministrando disciplinas ligadas às minhas áreas de atuação profissional. Foram momentos de muita satisfação e orgulho, pois fui docente dos campi Rebouças, Taquara e Akxe, em vários turnos diferentes. Recordo com muita alegria e emoção o fato de ter sido homenageado como paraninfo ou patrono de todas as turmas, deixando muitos amigos e formando excelentes profissionais que, hoje, dão sequência a esse trabalho. Não me lembro de um único dissabor, somente alegrias. É uma dádiva divina e agradeço sempre ao Poder Superior ter podido trilhar esse caminho com tanta coisa bonita.

Crefito-2: Quais os desafios do atual momento da fisioterapia / terapia ocupacional?

Passamos por um momento bastante difícil nos dias de hoje; a fisioterapia, com muitos profissionais formados a partir de 2002, mas sem conquistar o lugar merecido e cedendo espaço, por incompetência, desconhecimento e falta de compromisso, a outros profissionais de outras categorias. A terapia ocupacional, com esvaziamento progressivo, fechamento de cursos, diminuição de profissionais no mercado e mesma falta de perspectiva. Situações diferentes, mas que desembocam no mesmo lugar. O nosso desafio é mostrar a relevância dos nossos trabalhos, com dignidade, ética, comprometimento, perfil científico, união e luta. É fundamental que seja criada uma "cultura fisioterapêutica" e uma cultura "terapêutica ocupacional".

Crefito-2: Quais são suas perspectivas e anseios para o futuro da sua área?

O principal anseio, a meu ver, é a melhora de qualidade e competência dos profissionais que atuam em Fisioterapia Respiratória e em Terapia Intensiva, pois atualmente passamos por um momento de péssima qualidade técnica, comportamental e ética, com desvirtuamento relevante de como atuar, onde atuar e um grau de desconhecimento assustador.

Apesar de algumas colocações críticas em função da minha própria vivência, acho que vivemos, por outro lado, um grande momento, um momento de catarse, de desconstrução, para que novas perspectivas ganhem espaço definitivo, pois a fisioterapia é fundamental para a sociedade brasileira. Pena que o fisioterapeuta não saiba e muito menos as autoridades da Saúde, sociedade e dirigentes nas esferas federal, estadual e municipal. Se o profissional não sabe por que está lutando ou o que está defendendo ou precisando, não se pode esperar que outras pessoas, instituições e governos o saibam.

O holograma chinês que simboliza crise é divido em duas partes: risco e possibilidade. Quandoo fisioterapeuta tiver capacidade plena de ousar, peitar porque conhece e entender que o risco faz parte do crescimento, passaremos, enfim, às reais possibilidades.

 
 
 
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