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Dra. Márcia Dolores Gallo recebe homenagem do Crefito-2 na XVII Jornada Científica

Terapeuta ocupacional é especialista em Tratamento Neuroevolutivo, com experiência em projetos de inclusão social com detentas e também com tribos indígenas.

Dra. Márcia Dolores Gallo é homenageada com a Medalha de Honra ao Mérito Dr. Fernando Lemos pelo Crefito-2, em 2017.


Dra. Marcia Dolores Carvalho Gallo foi uma das escolhidas para fazer parte do seleto grupo que receberá a Medalha de Honra ao Mérito Dr. Fernando Lemos, concedida pelo Crefito-2 na edição deste ano a profissionais que se destacam na Terapia Ocupacional. A terapeuta ocupacional é mestre em Ensino de Ciências pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) e especialista em Docência de Nível Superior pela Universidade Castelo Branco (UCB). E acumula vasta experiência na área clínica em pediatria, saúde mental, projetos de inclusão social com a população carcerária, tribos indígenas, entre outros. 

 

Como pesquisadora, a terapeuta ocupacional desenvolveu projetos como: “A Terapia Ocupacional na Inclusão Social do detento”, no Presídio Talavera Bruce – Sistema de Segurança Máxima Complexo de Bangu no Rio de Janeiro. Também desenvolveu na Secretaria de Estado de Ação Social e Cidadania – Fundação Leão XIII o programa “Meu lugar de direito”. Na cidade de Caucaia, no Ceará, realizou um trabalho com quatro tribos de etnia “Tapeba”. 

 

Muito engajada com a preparação profissional, a terapeuta ocupacional fez vários cursos, entre eles a especialização no Conceito Neuroevolutivo  Bobath, realizado no Centro de Estudos Dra. Monika Mueller, no Rio de Janeiro, além do Curso Desinstitucionalização e Cidadania no Contexto das Políticas Públicas de Assistência Social no Instituto Franco Basaglia (IFB) e pelo Núcleo de Políticas Públicas de Saúde e Saúde Mental (NUPPSAM). Participou do Curso de Formação Continuada sobre Avaliação de Aprendizagem na Faculdade de Saúde e Meio Ambiente (FAESA-ES). 

 

Dra. Marcia Gallo também desenvolveu o projeto “Mulheres de Sol a Sol”, no IFRJ campus Realengo, – que além de ser integrado ao Programa Mulheres Mil, fez parte do Plano “Brasil sem Miséria” em parceria com o MEC –, como resultado de uma capacitação realizada pelo MEC – Brasília, para Formação de Gestores do “Programa Nacional Mulheres Mil - Educação, Cidadania e desenvolvimento sustentável”, em 2012.

 

Em entrevista a seguir, concedida ao Crefito-2, a profissional falou da importância do trabalho em Terapia Ocupacional em projetos de inclusão social e do orgulho, emoção e alegria em receber esta homenagem do Conselho. Veja a entrevista na íntegra. 

 

 

Crefito-2: Como foi receber a notícia desta homenagem? Comente sobre a importância deste reconhecimento por parte do Conselho.

 

Dra. Marcia Dolores Carvalho Gallo: Fiquei tão feliz que pensei não ter entendido direito e pedi que me explicassem novamente.  Eu nunca fui homenageada por meus pares e nunca imaginei que um dia o seria. São 24 anos trabalhando como terapeuta ocupacional e 23 anos como docente, sem interrupção, porém sempre considerei que meu dever era trabalhar de forma consciente e ética dignificando minha profissão. Posso afirmar que faço o que amo e por isso me dedico a transmitir esse amor! Eu chorei muito! Serei sempre imensamente grata ao Crefito-2 por esta homenagem! 

 

Crefito-2: Este ano, o tema da Jornada Científica – Etapa: Terapia Ocupacional do Crefito-2 vai tratar é: “Força Econômica, Social e Política do Estado brasileiro: Cuidado e Cotidiano Feminino”, que pretende abordar a saúde da mulher, além de discussões sobre gênero, violência, direito e o papel feminino na sociedade atual. Qual sua opinião sobre esses assuntos e no que podem contribuir para a Terapia Ocupacional?

 

Dra. Marcia Dolores Carvalho Gallo: Em uma primeira reflexão estes assuntos fazem parte cotidianamente das linhas de estudo e atuação da Terapia Ocupacional principalmente no campo da ação social. A discriminação no cuidado e cotidiano feminino tem início nas criações sociais e culturais, sejam elas de pertencimento à determinada classe social, gênero, raça, etnia ou orientação sexual. Apesar dos avanços principalmente sociopolíticos, e com toda luta travada pelas classes, considero estarmos vivenciando um avanço temático, porém com condutas sociais retroativas bastante perigosas.   

 

No campo de atuação da Terapia Ocupacional, a luta sempre foi de defesa dos direitos humanos em todas suas práticas, contudo, isso requer uma postura política e ética que sempre foi debatida inclusive no âmbito da Legislação da profissão, na qual todos têm igualmente o direito de serem respeitados e tratados com dignidade, sejam homens, mulheres, negros, brancos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, bissexuais, travestis, transexuais, entre outras classificações.

 

Ainda convivemos com tratamento menos igualitário por parte da sociedade e isso sinaliza a relativa “desvantagem” do gênero em uma sociedade machista, desde a situação de respeito e dignidade até as situações de ordem político-econômica, assim firma-se uma atuação inesgotável de luta, estudo, trabalho e atuação do terapeuta ocupacional como um ponto forte e de destaque incansável na luta contra as diferenças ou a indiferença ao fenômeno.

 

 

Crefito-2: O que mais marcou sua vida como terapeuta ocupacional?

 

Dra. Marcia Dolores Carvalho Gallo: Muito difícil de responder, pois é uma vida inteira dedicada à Terapia Ocupacional e uma luta constante pelo reconhecimento da profissão, ampliação de frentes de trabalho e formação de profissionais.

 

Costumo dizer que eu não me formei em Terapia Ocupacional, mas a Terapia Ocupacional me formou como “Ser Humano”. E retirou a cortina dos meus olhos para o mundo, para a existência de uma força muito grande quando estamos frente à atuação profissional.

 

Tem uma história breve que vou relatar; trabalhei cinco anos numa instituição de Reabilitação Física no Espírito Santo - CREFES, Setor Infantil, e desenvolvi alguns projetos além do atendimento da Terapia Ocupacional. Cinco anos depois que saí de lá e voltei para o Rio de Janeiro, eles fizeram um pôster imenso com minha foto junto a um paciente com amputação bilateral que eu atendia e colocaram na parede do setor. Enviaram-me para que eu soubesse da homenagem, isso me marcou profundamente, não porque eu tenha feito algo de tão extraordinário! Fiz o que devia ser feito que foi trabalhar com respeito, ética, dignidade e cientificidade. Mas principalmente porque estava relacionado à questão da humanização no SUS, então me senti muito feliz!

 

 

Crefito-2: A senhora já teve um projeto com meninas de comunidades de Realengo que, se não estou enganada, se chamava “Ser Menina” e atuou também em presídio com a população feminina, visando o empoderamento da mulher. Fale um pouco desses trabalhos e qual foi a sua motivação para realizá-los?

 

Dra. Marcia Dolores Carvalho Gallo: O primeiro foi no Presídio Talavera Bruce. Éramos quatro pesquisadores e o objetivo era provar que numa Instituição Penal, já que se refere a um espaço de reabilitação social do sujeito que cometeu um agravo à sociedade, deveria ter em sua equipe de trabalho um terapeuta ocupacional. Permanecemos em campo durante dois anos com esta pesquisa-ação, tendo como clientela 53 mulheres apenadas por crime hediondo, que permaneciam confinadas num anexo por não conseguirem se socializar e por serem bastante agressivas. Ao final do projeto, essas mulheres encontravam-se fora do anexo, em celas comuns com outras mulheres e trabalhando em oficinas. Com este trabalho ganhamos um prêmio científico. O Desipe, a partir de então, passou a oferecer uma vaga nos concursos públicos, infelizmente somente no “Manicômio Judiciário”, denominação usada na época. Muitas reportagens foram feitas no Jornal “O Globo” e revistas femininas sobre essa pesquisa. Quando terminou, eu prossegui com outro estudo denominado “Mulheres Presas”, que trazia a questão dos aprisionamentos femininos, consegui através de questionário, alcançar uma população bem difícil de acessar, que são “freiras enclausuradas”, cujas mulheres optam por um confinamento de origem religiosa, e ainda outra população de mulheres que se sentiam aprisionadas no casamento.  O resultado foi bastante positivo e apresentado nas IES e Congressos.

 

O Projeto “Ser Menina” não foi elaborado por mim, mas sim por uma equipe interdisciplinar da Universidade Castelo Branco - UCB, onde por algum tempo respondi pela Terapia Ocupacional.  Teve por objetivo trabalhar com meninas adolescendo, que se encontravam em situação de risco, tais como uso de drogas, tráfico de drogas, prostituição infantil e violência doméstica. Na área AP5.1 e AP5.2, eram encaminhadas pelo Conselho Tutelar da região, pelos colégios e busca espontânea. Trabalhamos com esse projeto durante muitos anos, com excelente resultado. Anos após, recebendo o primeiro período de Terapia Ocupacional no IFRJ, dentre os calouros uma moça veio, se aproximou e se identificou como ter sido do “Ser Menina”, foi muito emocionante e gratificante para mim.

 

 

Crefito-2: Quais são suas perspectivas e anseios para o futuro da Saúde Mental na Terapia Ocupacional?

 

Dra. Marcia Dolores Carvalho Gallo: O trabalho em Saúde Mental em minha opinião é inexistente sem a Terapia Ocupacional, assim como a Terapia Ocupacional não se complementa sem a Saúde Mental. Sou muito extrema no que se refere à Terapia Ocupacional e à Saúde Mental. Passamos por várias situações cujas prioridades perpassavam a desinstitucionalização, a quebra do paradigma da loucura, a utilização das atividades contribuindo para desmedicalização excessiva, entre outros aspectos que se referem diretamente ao trabalho da Terapia Ocupacional. Tanto o presente como o futuro da Saúde Mental na Terapia Ocupacional sempre serão de engajamento, resistência e parceria frente ao cenário político que se apresente. Estaremos caminhando juntos tanto no aspecto da clínica como da ética, do respeito e da dignidade humana. É uma luta incansável na defesa da dignidade e direito desta população que no momento vem sendo tão desrespeitada pelo governo. 

 

 

Crefito-2: Que mensagem a senhora daria para um terapeuta ocupacional em início de carreira ou um acadêmico de Terapia Ocupacional?

 

Dra. Marcia Dolores Carvalho Gallo: Que estejam muito atentos a perceber se realmente é esta profissão que desejam seguir, pois não existe espaço para profissionais infelizes por não gostarem do que fazem. A Terapia Ocupacional se orgulha de ter profissionais conscientes do que desejam e o fazem com muita competência, estudo contínuo, luta e amor à profissão. Se realmente decidirem pela Terapia Ocupacional, estudem muito, se dediquem ao máximo e sejam os melhores, porque as pessoas merecem ser tratadas por profissionais competentes, éticos, conscientes e felizes com o que fazem. Sempre me coloco à disposição de todos para conversarmos sobre Terapia Ocupacional!

 
 
 
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