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Publicado em: 02/10/2016

Dra. Luziana Maranhão será homenageada pelo Crefito-2 com a Medalha Dr. Fernando Lemos

Terapeuta ocupacional e conselheira do Coffito receberá justa homenagem por sua militância em prol das profissões. Leia a entrevista.

 


Dra. Luziana Carvalho de Albuquerque Maranhão se destaca por sua trajetória política: foi presidente do Crefito-1 e vice-presidente do Coffito, além de ter atuado  no movimento sindical. E por toda a sua história de luta receberá a medalha Dr. Fernando Lemos do Conselho Regional na abertura da XVI Jornada Científica – Etapa Terapia Ocupacional, que acontece nos dias 7 e 8/10, no Espaço Cultural Dr. Ruy Gallart de Menezes, no Crefito-2.

Dra. Luziana Maranhão é graduada em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de Pernambuco (1980) e em Pedagogia pela Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (1988). Atualmente é Conselheira Efetiva do Coffito, membro da Abrato, Conselheira Nacional de Assistência Social, Doutoranda de Bioética da UNB e professora da Universidade Federal de Pernambuco, atuando principalmente nos temas: Terapia Ocupacional, Saúde Coletiva, Dependência Química e Desempenho Ocupacional.

 

A terapeuta ocupacional - que tem uma trajetória política de destaque nacional com uma história de muitas lutas em prol da melhoria das profissões e, por isso, conta com reconhecimento de muitos fisioterapeutas - ganhará uma justa homenagem do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 2ª Região (Crefito-2). 


Saiba um pouco mais sobre a homenageada na entrevista concedida pela profissional ao Crefito-2.



Crefito-2: 
Como foi receber a notícia desta homenagem? Comente sobre a importância deste reconhecimento por parte do Conselho. 
 

Dra. Luziana Maranhão: A notícia dessa homenagem me deixou muito honrada e feliz pelo reconhecimento e valorização do nosso trabalho e compromisso com a Terapia Ocupacional. Ninguém trabalha isolado. Sempre existe uma equipe ao nosso redor acreditando nas nossas propostas que geralmente são construídas de forma coletiva, confiando na nossa liderança e sonhando junto conosco. Portanto, compartilho essa homenagem com muitos colegas que estiveram ao meu lado nesse caminho. Mas, em todo o caminho nos deparamos com apoios, companheirismos, vitórias, mas também, não reconhecimento do nosso trabalho e não valorização da nossa liderança, e, também rejeição às nossas propostas de trabalho. Momentos como esses, nos fortalecem como terapeuta ocupacional e como liderança. Nos levam a acreditar que estamos no caminho certo da luta pela nossa profissão e que temos que seguir adiante e nada nos fará desistir de buscar caminhos de dignidade e autonomia para a Terapia Ocupacional. 
 

 

Crefito-2: Este ano, o tema que a Jornada Científica de Terapia Ocupacional do Crefito-2 vai abordar é: “Casa comum, nossa responsabilidade: lugar onde habitam os inúmeros estados dos seres”, une duas discussões. Primeiro “Casa Comum, Nossa Responsabilidade” é o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, que tem por objetivo o debate de questões relativas ao saneamento básico, desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida aos cidadãos. E a segunda, a citação “Lugar Onde Habitam os Inumeráveis Estados dos Seres” é uma referência utilizada pela Dra. Nise da Silveira, cunhada a partir do pensamento de Antonin Artaud. O evento também abordará a importância da Dra. Nise para a terapia ocupacional. E gostaríamos de saber sua opinião sobre esses assuntos e no que pode contribuir para o a profissão de Terapia Ocupacional?

 

Dra. Luziana Maranhão: Eu admiro muito as propostas de inovações, de mudanças, de temáticas que nos desafiam e nos questionam. Acho que o tema da Jornada do Crefito-2 traz essa perspectiva. Parabenizo aos idealizadores da temática que nos induz a uma profunda reflexão na profissão. Reflexão que vai desde as concepções teóricas do lugar da Terapia Ocupacional, de produção científica, com convívio com a diversidade de saberes nas equipes de trabalho, de relação humana aliada ao convívio com a diversidade social com intervenção de sujeitos, grupos e comunidades das mais diferentes origens, meios, espiritualidade, gênero, etnias. Mas, essa temática também nos reporta a uma reflexão política da Terapia Ocupacional, pois discutir sobre “Casa Comum, Nossa Responsabilidade” nos remete à discussão do Desmembramento do Sistema Coffito/CrefitoS, tema de suma importância para o momento político da Terapia Ocupacional. O contexto histórico nos revela a importância da união da Terapia Ocupacional com a Fisioterapia para a criação do Sistema Coffito/CrefitoS, em 1969, onde nenhuma das profissões possuía número suficiente de profissionais para conseguir uma Autarquia própria. Atualmente, o cenário político está alicerçado em outra conjuntura onde estar junto com a Fisioterapia nos traz benefícios, mas causa problemas às duas profissões, ressaltando no caso da Terapia Ocupacional, o comprometimento em nossa autonomia plena e falta de visibilidade da profissão no país.
 

 

Crefito-2: O que mais marcou sua vida como terapeuta ocupacional?

 

Dra. Luziana Maranhão: Para mim a escolha da profissão é um casamento que se escolhe na vida. Como no casamento, o amor pela profissão escolhida é o grande marco para nortear seus caminhos seja na busca a cada dia por maior conhecimento, seja no prazer e satisfação nos encontros diários com nossos usuários, grupos ou comunidades. Os depoimentos dos usuários, grupos e comunidades quanto à contribuição em suas vidas que o meu trabalho lhes proporcionava, sempre foi como uma seiva para alimentar uma árvore e fazê-la florescer e frutificar. Na saúde, a Saúde Mental e, em especial, a Dependência Química, foi meu maior investimento profissional. Na Assistência Social, estou construindo meu saber nos serviços da rede sócioassistencial. A relação humana na Saúde ou na Assistência Social sempre me marcou meu caminho profissional. Mas, a minha trajetória política, com certeza, foi meu maior reconhecimento na categoria profissional. Fiz parte da Associação dos Terapeutas Ocupacionais de Pernambuco, Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais de Pernambuco, Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 1ª Região, Federação Nacional dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, e, recentemente, Associação Brasileira dos Terapeutas Ocupacionais. A vida política foi o grande marco da minha história na Terapia Ocupacional, apesar de ter tido, também, muita atuação na vida política da Fisioterapia e o reconhecimento de muitos fisioterapeutas. A confiança e legitimidade que sempre recebi como liderança dos terapeutas ocupacionais é um motivo de muito orgulho e espero continuar a ser merecedora desse privilégio. Pela Terapia Ocupacional não me acomodo numa zona de conforto me esquivando de confrontos políticos, pelo contrário, me exponho nos embates e nas disputas políticas com respeito e ética porque é isso que os terapeutas ocupacionais esperam de mim e é esse meu compromisso. Lutar sempre pela Terapia Ocupacional pelo orgulho que tenho em ser terapeuta ocupacional (com letra maiúscula). 

 

Crefito-2: Quais os desafios do atual momento da Terapia Ocupacional, em sua opinião?

 

Dra. Luziana Maranhão: Por ser uma categoria com pouca visibilidade e reconhecimento social, apesar de termos avançado muito nos últimos tempos, temos inúmeros desafios. Vou procurar elencar aqueles que vem se colocando como prioridades no cenário atual:

 

1 - Expansão dos cursos de Terapia Ocupacional no Brasil: essa ação é urgente e dela se desdobram várias possibilidades como o desmembramento do sistema Coffito/CrefitoS, a maior inserção da Terapia Ocupacional nas políticas públicas, inclusão do terapeuta ocupacional como membro de equipe mínima de diversos programas dessas políticas, acesso da população às intervenções dos terapeutas ocupacionais nas diversas áreas, maior divulgação da profissão e reconhecimento social, maior produção científica da Terapia Ocupacional, maior oferta de programas próprios de pós-graduação e muitas outras possibilidades.

 

2 - Aprovação do Projeto de Lei 7647/2010, que vem enfrentando vários confrontos em sua tramitação, onde algumas situações foram reveladas e pudemos atuar em busca de soluções e consensos, superando os obstáculos e levando a tramitação a seguir adiante. Outras ações foram obscuras, não reveladas, o que nos causou atrasos e entraves. Desde 2015, esse PL está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania onde buscamos acordos para dar prosseguimento a sua tramitação e acreditamos que até o final do ano possamos dar continuidade a sua tramitação. Esse Projeto de Lei é de suma importância para a Terapia Ocupacional porque atualiza sua regulamentação agregando todas as áreas de atuação atuais e competências legais para fortalecer a segurança política e jurídica à profissão, além de divulgar em todo o país, o Fazer do terapeuta ocupacional. A Abrato esteve sempre junto do Sistema Coffito/CrefitoS nessa luta pela aprovação do PL 7647/2010.

 

3 - Fortalecimento da organização da Terapia Ocupacional: o investimento no fortalecimento das associações estaduais de Terapia Ocupacional, da Abrato, da Reneto, uma maior participação dos terapeutas ocupacionais em entidades sindicais como Fenafito/SinfitoS e entidades sindicais próprias é fundamental para que a corporação profissional possa estar melhor preparada em sua representação nas diversas ações implicadas nessas organizações. A integração com o movimento estudantil, com Exneto e Diretórios/Centros Acadêmicos tem que ser uma meta a ser alcançada, pois é através dessa integração que poderemos fortalecer o surgimento de novas lideranças.

 

4 - Desmembramento do Sistema Coffito/CrefitoS: a busca de maior visibilidade da Terapia Ocupacional no Brasil está implicada na criação de um Sistema próprio que se apresente no país como órgão normatizador e fiscalizador da nossa profissão. Devido à grande diferença quantitativa entre a Terapia Ocupacional e a Fisioterapia, a visibilidade de nossa profissão é subtraída pela imagem da Fisioterapia sendo constante a nossa apresentação em espaços públicos por diversos agentes como autoridades governamentais, educacionais, outras representações na área da Saúde, como Conselhos de Fisioterapia sem qualquer menção à Terapia Ocupacional. Infelizmente, esse discurso, voltado apenas para Fisioterapia, também existe internamente no Sistema, gerando protestos de terapeutas ocupacionais o que tem causado desgaste no relacionamento entre representantes das duas profissões. Nosso caminho conjunto foi importante para as duas profissões, mas o desmembramento trará benefícios fundamentais para ambos, em especial para a Terapia Ocupacional. A responsabilidade com esse processo é muito grande, pois implicará numa redução orçamentária significativa para a Terapia Ocupacional, muito além do que para a Fisioterapia. No entanto, a garantia de autonomia em nossas decisões e escolhas é fundamental para a dignidade e valorização da Terapia Ocupacional que transita em colegiados sem paridade quantitativa, nem de voto. Nos colegiados, as questões não são votadas por profissão, o que garantiria paridade de voto, mas por número de conselheiros, o que anula qualquer possibilidade de vitória em propostas da Terapia Ocupacional que não contam com a anuência dos conselheiros fisioterapeutas. Essa relação nos coloca numa condição permanente de submissão à decisão da outra categoria profissional. Mesmo que exista respeito e concordância com as escolhas dos terapeutas ocupacionais em situações várias, a relação de subordinação não é nula, mas baseada apenas na subjetividade das relações positivas entre conselheiros. 

 

Crefito-2: Quais são suas perspectivas e anseios para o futuro da sua profissão?

 

Dra. Luziana Maranhão: Diante da resposta anterior, nossos anseios são de que possamos vencer gradativamente esses desafios apresentados, como tantos outros não citados. Sou otimista e acredito no potencial de minha profissão, pois fazendo uma reflexão de retrospectiva histórica, vimos que já temos avanços de muita valorização profissional, mas muito aquém do que a Terapia Ocupacional necessita para estar no patamar que merece e que o povo brasileiro deve ter acesso. Acredito que se atingirmos a expansão dos cursos de Terapia Ocupacional, a aprovação do PL 7647/2010 e conseguirmos um Sistema de Conselhos próprios, as mudanças para a Terapia Ocupacional serão de grande intensidade no Brasil. 

 

Crefito-2: Que mensagem a senhora daria para um terapeuta ocupacional em início de carreira ou um acadêmico de Terapia Ocupacional?

 

Dra. Luziana Maranhão: Primeiramente, que tenham certeza de que a escolha da profissão é verdadeira porque a Terapia Ocupacional precisa de profissionais compromissados com a nossa profissão, e, compromisso, só acontece quando se tem consciência da escolha realizada. Se tiverem certeza da escolha pela Terapia Ocupacional, que sejam militantes por essa causa. Militantes na busca do conhecimento científico, pois um profissional competente no seu Fazer atende de forma eficaz à população e é a maior propaganda de sua profissão. Não seja um profissional descompromissado das questões políticas da Terapia Ocupacional, porque participação política é construída pelas lideranças junto com todos que vem conosco debater, propor e mudar. Orgulhem-se de ser Terapeutas Ocupacionais. Vou usar a frase de um terapeuta ocupacional, autor desconhecido: “se a Terapia Ocupacional não salva vidas, dá sentido a elas”.

 
 
 
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