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Crefito-2 reconhece e homenageia psiquiatra por seu trabalho em prol da luta antimanicomial

Dr. Paulo Amarante recebeu a Medalha Dr. Fernando Lemos por sua atuação profissional e por engrandecer a Terapia Ocupacional dentro e fora do país.

Dr. Paulo Duarte de Carvalho Amarante foi um dos onze homenageados pelo Credito-2 em 2018, e faz parte do seleto grupo que recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Dr. Frenando Lemos, concedida pela Autarquia a profissionais de destaque e importância para a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional.
 
Formado em Medicina, pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia; Dr. Amarante tem especialização em Psiquiatria, pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ; mestrado em Medicina Social, pelo Instituto de Medicina Social da Uerj; doutorado em Saúde Pública, pela Fundação Oswaldo Cruz; e pós-doutorado na AUSL, em Imola/Itália. Com mais de 40 anos de experiência, foi fundador do primeiro Curso Básico de Acompanhamento Domiciliar em Saúde Mental (Fiocruz) e da primeira Residência Multiprofissional em Saúde Mental (convênio IPP/MS com ENSP/Fiocruz).

Atualmente, é professor e pesquisador titular da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz, onde é coordenador e líder do Grupo de Pesquisas "Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial" (LAPS).
 
Na Reforma Psiquiátrica teve papel fundamental junto a sua colega de luta e de profissão, Dra. Nise da Silveira, com quem atuou no antigo Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, hoje denominado Instituto Municipal Nise da Silveira, em homenagem à psiquiatra.
 
Com um currículo do tamanho de sua trajetória profissional, Dr. Paulo Amarante é, entre outras atribuições, Doutor Honoris causa da Universidade Popular de Madres de Plaza de Mayo, na Argentina, e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). É autor de vários livros, membro do Comitê de Participação da Conferenza Permanente per la Salute Mentale nel Mondo (Copersamm), membro do Conselho Consultivo da Fundação Franca e Franco Basaglia (Itália) e professor do doutorado em Salud Mental Comunitaria/Universidad Nacional de Lanus, na Argentina.

 
Em entrevista concedida ao Crefito-2, o psiquiatra fala de sua trajetória na Saúde Mental e Coletiva, de como surgiu sua aproximação com a Terapia Ocupacional e da alegria e surpresa ao receber a notícia dessa homenagem do Crefito-2.

 
Crefito-2: Como você recebe a notícia desta homenagem? Comente sobre a importância deste reconhecimento.
Dr. Paulo Amarante: Fiquei feliz com a homenagem, mas é um misto de felicidade e de tristeza, porque depois de uma certa idade, quando se recebe muita homenagem, a gente percebe que está mais pra lá do que pra cá (risos). É um orgulho, uma honra para mim ser homenageado por uma categoria que acho muito importante. Sempre falei que a Terapia Ocupacional no Brasil teve um papel muito importante na Reforma Psiquiátrica por causa da especificidade da relação com o trabalho, com a criação de atividades de geração de renda e atividades não tradicionais. Sempre apontei para isso, embora a denominação da própria profissão seja Terapia Ocupacional, não concordo que se reduza a uma terapia e muitos profissionais da área não a reduzem a uma atividade terapêutica. Da mesma forma que a psiquiatria, a psicanálise e a psicologia não se reduzem também a terapias no sentido de que se pode ter atividades mais ampliadas ligadas à prática de cidadania e de produção de novas formas de estar no mundo.


Crefito-2: Em que momento que o senhor se aproximou da Terapia Ocupacional?
Dr. Paulo Amarante: Comecei a me aproximar já nos anos 1980, quando iniciamos o trabalho da reforma psiquiátrica. Fui trabalhar no Centro Psiquiátrico Pedro II, onde trabalhava a Nise (da Silveira), e percebemos que precisávamos levar importantes psiquiatras que aceitassem um tipo de questionamento e de reflexão para o Centro Psiquiátrico, hoje Instituto Municipal Nise da Silveira, no Engenho de Dentro. Sabíamos que era um campo interdisciplinar, multidisciplinar, intersetorial, transetorial e que precisávamos ter também outros profissionais, e eu fui encarregado disso. No Pedro Segundo, percebi que para atuar, precisava de profissionais da frente da psiquiatria progressista, por isso convidei pessoas como Jurandir Costa, Benilton Bezerra Júnior, Marco Antônio Brasil e vários profissionais importantes que foram para lá me ajudar. Também começamos a contratar profissionais de outras áreas e uma área importante era a Terapia Ocupacional, além de Serviço Social, Psicologia, Enfermagem e Educação Física. Não foi só na Terapia Ocupacional, mas vi nessa área profissionais que lidavam com a questão do trabalho, da atividade artística, e que tinham uma boa visão. Em paralelo, fui fazer um doutorado sanduíche, em Trieste (Itália), onde conheci Franco Basaglia, mas antes fiz amizade com uma equipe de terapeutas ocupacionais de lá, que me receberam quando fui fazer esse doutorado, e essa turma ficou muito amiga. Boa parte deles ficou responsável por montar o programa de Saúde Mental, no Brasil, em Santos, sob o comando de David Capistrano, primeiro como secretário de Saúde. A experiência de Santos foi, sem dúvida, a mais inovadora no Brasil, com o núcleo de assistência psicossocial 24 horas, inclusive quando começaram a criar os CAPS (Centro de Atenção Psicossocial).

 
Crefito-2: Quais são as suas perspectivas para o futuro da saúde mental?
Dr. Paulo Amarante: Vejo o futuro com muita preocupação, não só da Saúde Mental, mas na saúde pública de uma maneira geral, na reforma sanitária, e também em outros segmentos como do trabalho e do direito. O próprio SUS está sendo fortemente atacado. Acredito que a saída vai ser muito mais por uma resposta da sociedade, seja em termos eleitorais, como de outras formas políticas de resistência.

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