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Crefito-2 reconhece e homenageia fisioterapeuta por seu trabalho na comunidade do Alemão

Dra. Mônica Cirne Albuquerque receberá a Medalha Dr. Fernando Lemos por sua atuação, dedicação e por engrandecer a Fisioterapia dentro e fora do país.



Dra. Mônica Cirne Albuquerque é uma das homenageadas na XVII Jornada Científica do Crefito-2 – Etapa Fisioterapia e também fará parte do seleto grupo que receberá a Medalha de Honra ao Mérito Dr. Frenando Lemos, concedida pela Autarquia aos profissionais que têm destaque e importância às profissões de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Graduada em Fisioterapia pela Faculdade de Reabilitação da Asce - Frasce e pós-graduada em Traumato Ortopedia com ênfase em Osteopatia pela Universidade Castelo Branco, Dra. Mônica demonstrou muita coragem e disposição na criação e desenvolvimento do projeto Paloma, na comunidade do Alemão.

Desde 2006, Dra. Mônica Cirne, por iniciativa própria, aceitou o desafio de atenuar o sofrimento dos moradores dessa comunidade que, como ela mesma diz, “são carentes de tudo”.

O projeto começou num espaço improvisado da Paróquia São Sebastião, em Olaria, mas a necessidade daquela comunidade era enorme e o trabalho foi ganhando uma proporção grandiosa, inclusive com exposição na mídia de diversas partes do mundo, como Holanda, Alemanha, México e Estados Unidos. Como a demanda era maior do que o espaço onde o projeto funcionava, a fisioterapeuta precisou arregaçar as mangas e ir em busca de novas parcerias que pudessem acolher o projeto é continuar a atender a demanda da população local. E, depois de alguns anos, com esforço, muito trabalho e superando muitas pedras no caminho, Dra. Mônica, apoiada por seu inseparável marido, amigos e companheiros de luta, conseguiu inaugurar o Instituto Movimento e Vida, em maio de 2017.

Em um novo espaço, com uma estrutura mais adequada, a fisioterapeuta Dra. Mônica Cirne Albuquerque diz que seu sonho hoje “é poder estar com as portas do seu Instituto abertas todos os dias, atendendo todos os moradores da comunidade do Alemão que precisarem, sem ter que se preocupar com as contas da instituição”.

Em entrevista concedida ao Crefito-2, a profissional conta um pouco de como surgiu o projeto social e da alegria e surpresa ao receber a notícia dessa homenagem do Conselho. Confira a entrevista na íntegra.



Crefito-2: Como a você recebeu a notícia desta homenagem do Crefito-2 ao reconhecimento do seu trabalho?

Dra. Mônica Cirne: Recebi a notícia da homenagem com muita surpresa e ainda estou muito emocionada. Não desenvolvo esse trabalho buscando reconhecimento, nem nada que pudesse me exaltar. Realizo esse trabalho porque abracei a causa da comunidade do Complexo do Alemão. Vi a carência das pessoas do lugar e também sei o custo de um tratamento de Fisioterapia de qualidade. Conheço a realidade de quem precisa de tratamento. Tenho uma história na minha família: um irmão e uma prima que são portadores de necessidades especiais e sei o quanto isso custa. Então, fui prestando atenção nas necessidades e adotei a comunidade do Complexo do Alemão. Não me arrependo disso, apesar de várias pessoas terem me desencorajado, inclusive por conta da violência. Mas, todas as justificativas que eu ouvia para que eu desistisse desse trabalho me faziam pensar e repensar vários conceitos.

Hoje, a comunidade do Complexo do Alemão tem muito respeito pela Fisioterapia, todos conhecem, abraçam e respeitam a nossa profissão. Está no topo em termos de reconhecimento na comunidade. E me vejo muito realizada, porque isso é fazer chegar a Fisioterapia nos lugares mais distantes, e nós conseguimos. Esse reconhecimento da Fisioterapia não tem preço.

Atualmente, meu trabalho está sendo visto em Nova Iorque por meio do projeto Abrace Brasil, da Brazil Foundation, que está apoiando até dezembro o meu Instituto. Essa homenagem do Crefito-2 é recebida com gratidão e com muito respeito ao Conselho! O reconhecimento de um trabalho de dez anos. Embora eu já tenha recebido alguns prêmios, mas sem desmerecer as outras premiações, essa homenagem tem uma importância muito grande porque sou fisioterapeuta, é o meu Conselho que está me reconhecendo. Infelizmente, hoje eu não tenho uma pessoa ao meu lado que daria tudo para estar vivendo esse momento, que é o meu marido. Então dedico essa homenagem a ele, porque é o que ele mais queria ver: o reconhecimento do Crefito-2 ao meu trabalho, à minha luta. É a Fisioterapia brasileira sendo valorizada.

Eu tenho um amor muito grande pelo que faço e pela profissão que escolhi. Tenho também uma dedicação muito grande pela comunidade que atendo. Aprendi muito com eles e, por isso, esse reconhecimento é de uma importância muito grande: pessoal e profissional. Espero que sirva de exemplo para vários colegas de profissão. Nós podemos chegar aonde desejarmos. É só querer e não pensar somente na questão financeira.



Crefito-2: O tema da XVII Jornada Científica do Crefito-2 - Etapa Fisioterapia é “Integralidade com equidade: o olhar do fisioterapeuta no universo feminino”. Qual a sua opinião sobre a importância dessa temática?

Dra. Mônica Cirne: Eu penso que a mulher deve ser sempre respeitada, em qualquer situação, qualquer profissão, não importa: a mulher precisa ser sempre respeitada! Infelizmente, não é o que a gente vê. E vou falar de coisas que vejo dentro da minha profissão e que me deixam triste, chateada, preocupada: o abandono e a falta de respeito. O ser humano está, de uma maneira geral, abandonado e esquecido, e a mulher, como a parte mais frágil da sociedade, está maltratada, sendo agredida de todas as formas, psiquicamente e emocionalmente.

Eu estava atendendo a um bebê e a mãe chorava porque a criança estava muito doente, com problemas gravíssimos, e quando ela ia ao posto de saúde a tratavam como se fosse nada. Simplesmente porque ela é da comunidade. Então, o debate sobre essa temática é importante, pois falta respeito, atenção, amor ao outro. A mulher clama por res-pei-to, por atenção, por igualdade. Vejo muitas mulheres abandonadas quando ficam doentes, e meu trabalho também é voltado a devolver a dignidade a essas mulheres, a ajudá-las a ter qualidade de vida.
 


Crefito-2: Em 2013, o Conselho conheceu de perto e divulgou o projeto Paloma, que atendia pacientes do Complexo do Alemão. Fale um pouco desse trabalho e como ele está agora.

Dra. Mônica Cirne: Paloma é a pomba da paz no Complexo do Alemão, que é a Fisioterapia trazendo qualidade de vida e aliviando as dores da comunidade que vive massacrada. É por meio da Fisioterapia que venho promovendo a paz para essas famílias.

O projeto existe desde 2006, quando começamos, em uma salinha muito pequena, só eu e a Berenice, que hoje está afastada por problemas de saúde, mas que faz parte do conselho do Instituto. E não imaginávamos que a coisa fosse crescer na proporção que chegou. A necessidade de atendimento na área de saúde e a carência pela Fisioterapia são muito grandes. Então, o projeto se expandiu de tal forma que começamos a trabalhar com a possibilidade de transformá-lo em uma instituição, e foi o que aconteceu.

O meu marido abraçou a causa e me ajudou a conseguir esse espaço junto com Renato, um amigo e parceiro importante, que ajudou na obra. O espaço é nosso e foi todo reformado, adaptado e preparado para receber o projeto social. Isso levou mais de quatro anos, porque tudo foi levantado à base de doação, de almoço beneficente, de bingo, de rifa para conseguir chegar ao que temos hoje. Teve um envolvimento muito grande da comunidade, e é, com muita alegria, mas também com muita tristeza, que o espaço está pronto e foi inaugurado em maio de 2017. Muita alegria porque o trabalho está pronto, mas com muita tristeza porque meu marido não está mais entre nós. Eu perdi meu marido para a violência de Olaria. Ele havia saído para comprar uma lata de tinta para pintar o Instituto e morreu num assalto, na rua Uranos, no dia 20 de dezembro de 2016. O trabalho ficou parado porque eu não tinha condições de retornar, ainda é muito difícil para mim.

Eu já trabalhava pela comunidade e, hoje, trabalho por duas causas: pela e para a comunidade, mas também pela causa do meu marido, porque ele desejava ver as portas abertas, a casa cheia, fila de espera e todos sendo atendidos e com qualidade, porque tudo isso aqui foi planejado por ele em todos os detalhes. O fato dele não estar aqui é mais um motivo para eu continuar. Mas, para que eu continue, preciso de ajuda para atender e manter tudo funcionando. Felizmente, conto com pessoas maravilhosas como as fisioterapeutas Dras. Camila e Renata Machado, que estão no projeto doando suas horas de trabalho junto comigo para atender a comunidade. Estão comigo desde o início, trocando ideias e planejando junto como seria a estrutura do trabalho que desenvolvemos hoje no Instituto. Tenho muito respeito por essas fisioterapeutas e também pelos voluntários que estão comigo sem ganhar nada:  Eliana, Rose, Antônio Carlos, Ronessa, Camila, Renata, Renato, Vera, Andreia, Nilceia, Valter, o vice-presidente, Roberto, que é incansável, e toda a Diretoria que se faz presente a todo o momento. Eu digo que ganhei muito mais com a comunidade do Complexo do Alemão do que a comunidade ganhou comigo, porque aprendi e aprendo muito, melhorei muito como ser humano, aprendi a acolher mais.



Crefito-2: Como se deu o direcionamento de sua carreira para atuação em um projeto social e o que mais marcou sua vida como fisioterapeuta?

Dra. Mônica Cirne: O que me direcionou para realizar um trabalho social sério com a Fisioterapia foi a existência do meu irmão Alex. O Alex é a razão de eu ter estudado Fisioterapia, de eu ter feito algumas especializações, de eu ter pensado no âmbito social, como funciona uma pessoa portadora de necessidades especiais que não pode pagar e que não tem recurso nem para comer. Não era o caso do meu irmão, mas eu podia imaginar como seria para uma pessoa que não tinha nada. Então, isso foi o que me despertou e comecei a me direcionar para esse lado. Porque se ele tem um plano de saúde, uma boa alimentação e temos todas as dificuldades que uma pessoa com necessidades especiais demanda, imagina aquele que não tem o básico? Fica mais difícil! Eu digo que o meu trabalho é diferente porque quando chega um paciente com necessidades especiais no meu Instituto, que não tem o que comer, eu imediatamente aciono a Diretoria para fazer uma cesta básica para essa pessoa.  Na comunidade isso é recorrente, e acabei me envolvendo cada vez mais com o atendimento a essas necessidades. Segundo uma pesquisa feita por uma jornalista francesa, das comunidades do Rio de Janeiro, a única que tem atendimento fisioterapêutico totalmente gratuito voltado para os moradores da localidade é o Complexo do Alemão. É esse trabalho inédito que chamou a atenção dos jornalistas na França, na Alemanha, na Holanda, no México, que têm me procurado para dar entrevistas e falar do trabalho no Instituto.



Crefito-2: Quais os desafios que a Fisioterapia tem no atual momento, em sua opinião?

Dra. Mônica Cirne: Vivo nisso o tempo todo! Para mim não chega um entorse de tornozelo, uma luxação de ombro, uma tendinite. Atendo muitos pacientes com sequelas de projétil de arma de fogo (PAF), acidente de moto, porque na comunidade tem moto táxi, e AVC.

Aprendi a dar atendimento sem recursos, sem espaço e sem condição nenhuma, e tenho pressa de reabilitar porque preciso disponibilizar vaga para outro paciente que está na fila de espera. A gente atende às segundas, das 13h às 17h, e às sextas, das 8h às 13h, e estou me preparando para atender também às quintas, porque tenho muitas crianças com problemas graves como microcefalia, paralisia cerebral grave, etc.

O meu maior desafio é lidar com as adversidades da realidade da comunidade, atendendo bem, ter cuidado no meu fazer. Porque uma coisa é fazer o atendimento dentro de um consultório particular, outra é tratar dentro do hospital e outra coisa bem diferente é tratar dentro de uma comunidade. Então, o desafio maior é manter o trabalho com qualidade, responsabilidade, atenção e com muito cuidado, e nunca esquecer que estamos na comunidade do Complexo do Alemão.



Crefito-2: Que mensagem a senhora daria para um fisioterapeuta em início de carreira ou um acadêmico?

Dra. Mônica Cirne: Gostar da profissão que escolheu! Definitivamente, tem que amar a profissão. Não adianta querer entrar para a Fisioterapia porque vai dar dinheiro. A minha mensagem é: olhe o paciente como se você estivesse olhando para você, para sua mãe, para o seu pai. Não olhe o paciente como se ele fosse qualquer um ou um pedaço de carne qualquer, porque isso vai refletir no resultado do seu trabalho e não vai ter um bom resultado. A gente tem que olhar a realidade como ela é, e o paciente tem que ser considerado como um todo. Temos que deixar o paciente falar, porque ele vai direcionar o tratamento. Empresta o ouvido que a coisa funciona.
 


XVII JORNADA CIENTÍFICA DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL DO CREFITO-2 - ETAPA FISIOTERAPIA


TEMA: "INTEGRALIDADE COM EQUIDADE: O OLHAR DO FISIOTERAPEUTA NO UNIVERSO FEMININO"

LOCAL: TEATRO ODYLO COSTA, FILHO (UERJ)

ENDEREÇO: RUA SÃO FRANCISCO XAVIER, 524, MARACANÃ, RIO DE JANEIRO - RJ 

DATA: 24 E 25 DE OUTUBRO DE 2017

CERTIFICADO COM COMPROVAÇÃO DE CARGA HORÁRIA

INSCRIÇÕES GRATUITAS: FORMULÁRIO ON-LINE

FOLDER DA PROGRAMAÇÃO: ACESSE E BAIXE NO SEU COMPUTADOR
 


 

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