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Publicado em: 11/10/2016

Crefito-2 fará homenagem ao Dr. Carlos Alberto Caetano Azeredo na abertura da XVI Jornada Científica - Etapa Fisioterapia

Referência na Fisioterapia Respiratória, o profissional faleceu em maio de 2006.


Dr. Carlos Alberto Caetano Azeredo será um dos homenageados durante a XVI Jornada Científica do Crefito-2 – Etapa Fisioterapia, no Rio de Janeiro, que acontecerá nos dias 27 e 28 de outubro. Carlinhos, como gostava de ser chamado pelos amigos, foi um dos maiores nomes da Fisioterapia Respiratória Brasileira e agente de grandes transformações e conquistas para a Fisioterapia. Neste ano, faz uma década de saudades deixadas entre amigos e colegas de profissão.

Karina Fonseca Azeredo Lamim Magalhães de Mattos receberá, em nome de seu pai Dr. Carlos Azeredo (in memoriam), a condecoração com a Medalha de Honra ao Mérito Fernando Lemos, criada pelo Crefito-2. Dr. Carlos Alberto Caetano Azeredo foi pioneiro e principal difusor da Fisioterapia Respiratória no Brasil. Sua trajetória profissional exemplar foi de suma importância para a profissão, sendo ainda hoje uma das referências no tema.

[Participe do evento. Clique aqui para fazer sua inscrição gratuita online].

O fisioterapeuta Dr. Carlos Azeredo foi o líder do Núcleo de Estudos em Fisioterapia Respiratória, no começo da década de 1980, constituindo, assim, o início da organização da Fisioterapia Cardiorrespiratória brasileira. O grupo reunia profissionais de diversas regiões do Brasil.

Azeredo formou-se pela Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro, que funcionava na ABBR, tornou-se especialista em Fisioterapia Respiratória pela antiga Sobrafir (hoje Assobrafir) e Mestre em Fisioterapia Respiratória também pela Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro. Foi membro efetivo e atuante da Sociedade de Terapia Intensiva do Estado do Rio de Janeiro, coordenador do curso de Especialização em Cardiorrespiratória em UTI do Instituto do Pulmão, além de responsável pela criação do SIFR, em 1983, e autor dos livros: Fisioterapia respiratória no Hospital Geral, Fisioterapia Respiratória Moderna, Técnica de Desmame no Ventilador Mecânico, Tratado de Fisioterapia Respiratória, entre outros.

Além da contribuição profissional, outra parte da sua história também é muito bonita e mostra o altruísmo desse ser humano. “Em 1983, Azeredo e outros colegas, com o objetivo de reunir os profissionais que atuavam na especialidade, organizou o primeiro Simpósio Internacional em Fisioterapia Respiratória, na cidade do Rio de Janeiro, que contou com a presença de cerca de 2 mil participantes.

Em 1984, durante a realização do II Simpósio Internacional de Fisioterapia Respiratória, ficou claro que o Simpósio deveria torna-se itinerante pelo Brasil e tornou-se necessária a criação de uma organização com atuação política e de representatividade, para a especialidade (Assobrafir). Hoje, esse é o maior evento dentro da Fisioterapia Respiratória”, como conta sua ex-sócia e amiga, Dra. Maria Cecília Barreto. Azeredo faleceu em 8 de maio de 2006, mas sua memória que deve estar sempre presente para todos os Fisioterapeutas e futuros profissionais, foi o que motivou realizar essa homenagem, que embora seja póstuma, é de muita relevância.

E para relembrar e mostrar um pouco mais desse profissional a quem não teve oportunidade de conhecê-lo, vale a pena reler alguns trechos da entrevista concedida por ele à Revista FisioBrasil, pouco antes de seu falecimento. Na ocasião, Dr. Carlos Azeredo dividia seu tempo entre escrever mais um livro, ministrar aulas em Pós-graduação e cursos e sua luta com coragem e bom humor contra um câncer de pulmão, que infelizmente o venceu.

 

FisioBrasil: Como foi o começo da sua história na fisioterapia?

Dr. Carlos Azeredo: Todas as loucuras que você pode imaginar eu fiz e fiz de coração. Tudo que você pode imaginar eu fiz pela profissão, para a profissão, nunca fiz nada para mim, nem pensando em me dar bem, levei tudo na maior alegria. Entrei na profissão por acaso. Eu fiz engenharia, sou engenheiro, mas nunca exerci. Morava ao lado da ABBR e meu primeiro emprego foi na Varig.

Naquela época, todo mundo estava fazendo o curso porque a ABBR tinha como finalidade ter mão de obra. Eu não imaginava que aquilo lá fosse virar uma profissão. Eu me revoltava durante as aulas de alguns médicos. Alguns diziam: Isso aqui não interessa para vocês, é só pra médicos. Quem me estimulou a fazer fisioterapia foram esses médicos. Eu não aceitava isso, aí resolvi fazer do meu jeito.

Logo fui eleito presidente do Diretório Acadêmico. Eram cinquenta vagas da fisioterapia e da terapia ocupacional, você fazia três anos seguidos e no último ano você decidia se fazia fisioterapia ou terapia ocupacional. No Rio de Janeiro, fundamos o ENUR, Executiva Nacional dos Estudantes de Reabilitação.




FisioBrasil: Naquela época (1969), como foi quando souberam do Decreto-Lei que regulamentava a profissão de Fisioterapeuta no país?

Dr. Carlos Azeredo: Houve festa, conseguimos reunir na ABBR 408 fisioterapeutas. Eram quase todos que já estavam formados no Brasil naquela época e foram as pessoas que puderam vir ao Encontro no Rio. O próprio Conselho foi feito clandestinamente. Antes não se tinha os meios de informação que se tem hoje. Não tinha a Fisiobrasil, não tinha nada.


FisioBrasil: E como começou a Fisioterapia Respiratória?

Dr. Carlos Azeredo: A Fisioterapia Respiratória começou realmente no Rio. A história da respiratória é Rio de Janeiro, sempre. Não foi São Paulo. Eu e Edgar fomos a São Paulo, numa reunião na antiga Arnaldo Moradi, onde o pessoal, que estava começando a querer fazer Respiratória, queria saber como a gente estava introduzindo a Fisioterapia Respiratória aqui no Rio de Janeiro. E aí começou o movimento.

Quando eu saí de lá com o Edgar, estava ciente de que tinha que começar a fazer um congresso, abrir um congresso. Tinha tanto medo de organizar, mas sabe quantas pessoas vieram no primeiro simpósio, de 1983? Quase quatro mil e quinhentas pessoas.  Foi o que deu mais ânimo para a gente. O Rio de Janeiro parou.

Ficou claro o seguinte: a semente foi plantada ali. Muita gente que não tinha ideia que essa especialidade poderia vir, foi ali que veio todo mundo, vieram pessoas do Chile, Paraguai, Uruguai, Argentina, Holanda, Finlândia, Alemanha, Estados Unidos, foi uma loucura sem apoio da sociedade, sem nada. Ali começou, fizemos três anos seguidos no Rio de Janeiro.

Depois que a gente vê o trabalho, como formar essas pessoas? Como capacitar essas pessoas? Foi difícil, pois ninguém queria viajar, ninguém podia largar o emprego. Foi aí que eu entrei. Foi muito sacrifício. Lancei a pedra e cultivei a pedra, viajei o Brasil inteiro.  Ficava a semana inteira treinando as pessoas, indo aos hospitais, implorando aos médicos para abrir o espaço. Depois você tem o reconhecimento do próprio médico.

Eu fui fisioterapeuta da Irmã Dulce durante muito tempo. Era o governo Collor, a Irmã Dulce agudizou, foi para a UTI do Hospital Português e ficaram na dúvida: “entuba ou não entuba”, e resolveram chamar dois médicos: Dr. José Roberto Jardim, de São Paulo, e Dr. Carlos Roberto Barros de Franco, aqui do Rio de Janeiro. Mas faltava uma terceira opinião, aí a galera de Salvador pensou na terceira opinião de um fisioterapeuta. E aí, obviamente surgiu meu nome. Na época, eu tinha bastante nome, eu estava trabalhando muito com pressão negativa extratorácica. 

Eu estou na minha casa. De repente me liga do gabinete do governador, o Antônio Carlos Magalhães, dizendo: “estou mandando o jato do governo para buscá-lo, espero que o senhor aceite o convite, porque estamos com a Irmã Dulce aqui, correndo risco de vida, e já estão chegando duas autoridades de São Paulo e Rio, e o seu nome também foi escolhido”.

Eu nunca pensei em fama, pensei: é para a fisioterapia. Se der certo, vai ser muito legal para a fisioterapia. Não deu outra! Porque a opinião dos dois era entubar a Irmã Dulce, entubar e colocar no ventilador. Os médicos disseram: nós já avaliamos a Irmã e o melhor para ela... Eu disse “peraí”, eu vim para cá! Eu tenho direito de avaliá-la também. Aí a direção do hospital concordou. A Irmã estava frágil, a gasometria dela estava com 68 de PCo2, veio aquela intuição minha: a mulher é santa! Aí eu perguntei a ela: Irmã, a senhora está disposta a lutar um pouquinho mais? Ela deu aquele sorrisinho. Eu estava com a Dra. Ana Célia, fisioterapeuta, aí eu pedi para ela uma máscara de EPAP, botei a máscara na Irmã e ela respirou, e a oximetria deu uma “melhoradinha”, aí eu pensei, é por aí, se entubar ela não sai.

Fomos para uma reunião e decidimos o que fazer. Dois médicos disseram para entubar e eu não, não entubaria. Eles disseram que isso era um absurdo, e me perguntaram em que base científica eu me baseava para não entubar? Eu respondi que era na base científica de que ela é uma Santa. Então os médicos disseram: se você não quer entubar, você assume a responsabilidade em público. Se ela morrer... Eu encaro numa boa... Agora, eu vou usar ventilação com pressão negativa.

No momento da entrevista coletiva eu disse: “Quero dizer aos senhores, que o fisioterapeuta tem uma missão importantíssima. Quero assumir a responsabilidade das ações. O estado dela é grave, mas acima de tudo, eu tenho que ver a Irmã como uma Santa”. Em quatro dias a Irmã saiu do hospital, teve alta. Ela brincava muito comigo, dizia: “Você é muito pecador, peca muito, mas eu gosto de você”. Aí a minha moral e a da profissão foram lá em cima. Enfim, ela teve alta, foi para casa e todo mês o jato me buscava. Eu não cobrava nada, era o fisioterapeuta da Irmã Dulce. Foi um trabalho muito gratificante.

Em cada lugar que eu ia, que geralmente não era o Rio, aí o que, que eu fazia? Preparava gente, foi minha grande virtude. Hoje se você passar mal, seja em que lugar for, já não tem mais a “vedete”, a “estrela”. Quem é o bam-bam-bam da pneumo? Não tem mais o bam-bam-bam da pneumo no exercício prático, você está entendendo? Todo mundo que está ali, em sua maioria, está capacitado e qualificado. Isso é interessante, as referências passaram a ser o que todo mundo conquistou. Foi uma coisa muito legal para mim.

 

FisioBrasil: E sobre este momento importante da sua vida agora, de luta contra o câncer?

Dr. Carlos Azeredo: Conto a dedo quantos serviços eu montei no Brasil, entre aspas, eu ajudei a criar dentro do hospital. E venho recebendo muita solidariedade dos médicos também. Você está autorizado a revelar a minha doença, tá legal? Quer me agradar?  Quer me dar um dia de vida a mais?  Faz alguma coisa pela profissão.  Porque a minha vida, não o meu câncer, mas a minha vida, ela foi toda e está sendo ainda, pela Fisioterapia.

 

Fontes: Assobrafir e Crefito-8. Entrevista transcrita da Revista FisioBrasil Online.

 


 

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