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Crefito-2 condecora com Medalha a Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos

Ex-funcionária da ABBR foi responsável pelo trabalho que culminou com o reconhecimento dos primeiros cursos superiores de Fisioterapia e Terapia Ocupacional no Brasil.

Aplaudida de pé, a Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos (centro) recebeu a Medalha Dr. Fernando Lemos. Na foto, ela aparece ao lado da Dra. Regina Figueiroa, presidente do Crefito-2, e do Dr. Omar Luis Rocha da Silva, vice-presidente do órgão.

Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais brasileiros têm enorme gratidão ao trabalho desenvolvido pela Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos. Quem se aprofundou nos estudos sobre a história das duas profissões em nosso país sabe que sua atuação imprescindível na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABRR) foi decisiva para o reconhecimento destes campos profissionais pelo Ministério da Educação e, posteriormente, sua regulamentação.

Por isto mesmo, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 2ª Região (Crefito-2), em decisão do Colegiado, aprovou seu nome para uma homenagem especial, em reconhecimento à relevância de sua atuação para o desenvolvimento e a valorização da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional. Ela recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Dr. Fernando Lemos durante a abertura da XIII Jornada Científica, realizada de 26 a 28 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro.

Nascida em Campinas – SP, no dia 17 de junho de 1926, ela passou a infância na capital paulista e, de lá, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde sofreu um grave acidente no laboratório da fábrica de tintas em que trabalhava. Este fato interrompeu sua carreira como química industrial especializada na área de Óleos, Tintas e Vernizes.

O momento de dificuldade a aproximou da ABBR que, naquele momento, estava sendo criada. Maria Antônia começou seu relacionamento com a instituição como paciente, em 1957.

“Graças à Fisioterapia e à Terapia Ocupacional, tratamentos a que me sub­meti no Centro de Reabilitação da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), conseguiu me recuperar a ponto de ser possível minha reinte­gração na sociedade produtiva. Tornei-me uma cidadã carioca”, revela.

Reabilitada, abraçou a causa da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional. Foi contratada pela ABBR e tornou-se uma personalidade singular na história das profissões que tanto ama e ajudou a estabelecer no Brasil.

Durante algum tempo dedicou-se a trabalhos de tradução, colaborando pa­ra uma indústria farmacêutica, editora de histórias de quadrinhos e de in­térprete. Nos últimos anos que trabalhou, dedicou-se com afinco aos projetos de ca­pacitação profissional para o portador de deficiência na ABBR e em outras instituições.

Maria Antônia Pedrosa de Campos adotou o Rio de Janeiro como sua cidade para a vida toda. Vive no bairro do Jardim Botânico que, segunda suas próprias palavras, “ama de paixão”. Ali, vive “cercada de verde, mico, tucano, beija-flor, sabiá, bromélias e extremosas no jardim da casa, sob os braços abertos do Cristo Redentor”.

Confira os detalhes desta história nas palavras da própria homenageada, na entrevista exclusiva concedida ao Crefito-2.

E mais: no final desta matéria, o leitor tem acesso ao discurso de agradecimento da Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos.


Crefito-2: Como foi seu primeiro contato com a ABBR?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Em agosto de 1957 entrei para ABBR como paciente, para tratar sequelas graves de queimadura nos braços e mãos, decorrentes do acidente de trabalho no laboratório de uma conhecida fábrica de tintas nesta cidade. Após quase dois anos de hospital, voltei para casa com duas obsessões: recuperar o que restou e recomeçar a trabalhar. A ABBR, naquele momento, anunciava a inauguração do seu Centro de Reabilitação, cuja finalidade era recuperar e reabilitar com procedimentos inovadores pessoas com sequelas, entre outras, motoras, neurológicas e com especial atenção as de poliomielite. Cheia de esperança, tão logo, o Centro de Reabilitação foi inaugurado, iniciei o tratamento no Departamento de Fisioterapia e, em seguida, no de Terapia Ocupacional.


Crefito-2: Como a senhora foi tão beneficiada ao submeter-se ao tratamento com Fisioterapia e Terapia Ocupacional, chegou a sentir desejo de estudar estas áreas?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Não... Eu queria mesmo ajudar ambas as áreas a terem profissionais competentes e a se estabelecerem no país. Este era meu plano. Mas trabalhar nestas áreas, não. Primeiro, por não ter tendência. Segundo, pela minha dificuldade com as mãos.


Crefito-2: E como começou a trabalhar na ABBR?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Em fevereiro de 1959, já de alta, fui organizar os livros de estudo dos então chamados Cursos de Reabilitação da ABBR, amontoados numa estante, sem que os alunos tivessem acesso. Por este serviço, a Instituição passou a me dar uma ajuda de custo. Ao abraçar a causa da Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro (ERRJ), tive a oportunidade de concentrar todo meu saber, conhecimento, experiência e determinação em transformar os cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, mantidos pela ABBR, nos primeiros reconhecidos oficialmente em nível superior em todo território nacional.


Crefito-2: Após o acidente, quando atuava como química industrial, não voltou a trabalhar mais na sua área de formação?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Não. Após o acidente me dediquei só à ABBR. Fui fazer cursos de aministração. Fiz cursos de Secretariado na PUC para poder desenvolver este trabalho.


Crefito-2: Ou seja, a senhora buscou capacitação para atender a demanda que surgia na ABBR?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Era um trabalho muito grande. Era preciso levantar um curso que estava caído, para que ele fosse reconhecido pelo Ministério da Educação. Era algo muito difícil naquela ocasião, porque ninguém conhecia o que era Fisioterapia ou Terapia Ocupacional. Então, foi preciso um trabalho prévio para poder conseguir esta aprovação. Foi muito duro este começo.


Crefito-2: Que funções a senhora desempenhou neste processo?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: O trabalho incluiu toda a reorganização administrativa, estrutural e curricular e, ainda, a preparação e acompanhamento em todos os trâmites legais. Várias outras lutas foram ensejadas e participei de cada uma ao longo dos anos que passei à frente da administração daquela entidade educacional.


Crefito-2: Este trabalho é de extrema relevância para a Fisioterapia e Terapia Ocupacional, não só da ABBR, mas brasileiras. E a senhora fez mais pela instituição e as profissões. Fale um pouco sobre o Centro de Estudos.

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Após a transferência da ERRJ para Sociedade Universitária Augusto Motta (SUAM), em 1979, fui convidada a reorganizar e reestruturar o Centro de Estudos da ABBR, que estava desativado. Reinstalado no espaço físico da ERRJ, o trabalho de reformulação passou pelas fases de planejamento de estágios e treinamento de pós-graduação para o Brasil inteiro, planejamento de cursos de atualização e aperfeiçoamento, além da restruturação da biblioteca e da secretaria administrativa. Quando eu estava no Centro de Estudo, criamos outro trabalho que eu gostei muito de fazer e me realizou bastante, que foi a capacitação profissional do deficiente físico. Então, me dediquei à formação de cursos para prepara-los para o mercado de trabalho e para a reinserção social. Permaneci na instituição até 1992.


Crefito-2: Era um trabalho pioneiro naquela época? Como era desenvolvido?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Sim. O paciente da ABBR, naquela ocasião, ficava internado e passava bastante tempo na instituição. Então, paravam de estudar, de trabalhar... Este trabalho contou com o Dr. Virgílio Cordeiro, na Terapia Ocupacional, que ajudou muito. Trabalhamos juntos: o Centro de Estudos na parte administrativa e o Virgílio dava orientação. Foi muito interessante porque pegávamos pacientes que se tratavam e depois não tinham mais nada o que fazer e, então, começamos a oferecer cursos de reparo de aparelhos eletrodomésticos, de costura, cozinha, bijuteria, perfumaria, datilografia e posteriormente, informática, que já tinha começado. Era feita uma avaliação do paciente e se quisesse fazer o curso, entrava na programação da sua reabilitação. Ao sair da ABBR, fui trabalhar em outra instituição, o Centro de Vida Independente, que também focava nesta questão da capacitação da pessoa com deficiência.

Crefito-2: Vocês tinha a dimensão, naquele momento, que o trabalho que desenvolviam na ABBR iria adquirir tamanha importância, quatro décadas depois?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Não, não tínhamos... (Lágrimas).


Crefito-2: Quando a senhora lembra o passado, especialmente desta época, o que pensa?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Meu Deus! Tenho vontade de chorar. (Pausa. Lágrimas e sorrisos).


Crefito-2: Sobre a homenagem, o que a senhora achou da escolha do nome do Dr. Fernando Lemos para a medalha do Crefito-2 e o resgate se sua história, tão importante para a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional.

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Fiquei bastante emocionada com a escolha do nome do Fernando Lemos. (Lágrimas). Ele era uma figura que ficou um pouco esquecida, mas foi muito importante para a instituição. Ele era construtor, arquiteto e um homem muito criativo. Então, quando seu filho adoeceu, ele se dedicou à sua reabilitação. Ele organizou em casa um pequeno centro de Fisioterapia. Montou, inclusive, um tanque para hidroterapia. Fazia até aparelhos. Quando o filho, que era tetraplégico, conseguiu sentar-se numa cadeira de rodas, ele começou a dizer que gostaria de trabalhar para os filhos dos outros também, e para os que não podem. Daí veio a ideia de criar a ABBR.


Crefito-2: É um reconhecimento merecido?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Nossa, foi muito feliz a iniciativa do Conselho. Foi muito feliz e me deixa muito contente.


Crefito-2: A senhora já recebeu outras homenagens do Conselho e de outras instituições, não é?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Já... E eu fico sempre muito emocionada. Mas eu queria fazer mais. Queria ver a Fisioterapia e Terapia Ocupacional tivessem ainda maior dimensão dentro do ensino especializado no Brasil, e também na profissão. Que fossem mais divulgados e desenvolvidos.


Crefito-2: A senhora é a primeira personalidade não fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional a receber a Medalha de Honra do Mérito Doutor Fernando Lemos. O que significa receber esta homenagem?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Não tenho palavras para dizer o que é. (Lágrimas). Sinto-me muito honrada. Acho que fiz pouco. E às vezes acho que fiz tudo por egoísmo da minha parte, pois, após o meu acidente, queria provar que iria conseguir me inserir, vencer todo aquele problema, ser uma cidadã.


Crefito-2: O que a senhora deseja para a Fisioterapia e a Terapia Ocupacional?

Sra. Maria Antônia Pedrosa de Campos: Eu gostaria que o governo olhasse mais para as escolas e procurasse melhora-las para que formassem cada vez mais um fisioterapeuta e um terapeuta ocupacional capaz de atender esta demanda cada vez maior.

 

Discurso de agradecimento da Sra. Maria Antonia Pedrosa de Campos.

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